Ética de Dados: entenda o que é e qual a sua importância

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Qualquer que seja a estratégia de dados de uma empresa ela precisa ser desenhada de acordo com diretrizes compreendidas à luz da “ética de dados” e da LGPD. A menos, é claro, que a empresa não se importe com a sua reputação no mercado ou com sanções da nova norma.
O big data analytics, bem como a ciência de dados de forma geral, agora é abordado frente às novas demandas do mercado, que se preocupam com a utilização de dados pessoais, sensíveis e com as pautas relacionadas à abrangência da ética e da privacidade de dados.
Com a normatização dessas questões por meio da LGPD, a ética de dados passou a representar uma discussão importante entre profissionais de marketing e de Tecnologia da Informação. Por isso, este é um conhecimento que precisa estar no seu know hall, seja qual for a sua área de atuação dentro deste segmento.
O que é ética de dados?
Muitas vezes o profissional de marketing tende a associar a “ética de dados” somente à privacidade de dados.
Entretanto, o conceito engloba mais do que a preocupação em tornar privadas as informações de clientes e da empresa em si. Embora isso seja importante e, de fato, parte do que se entende como ética de dados, o profissional responsável pelas estratégias data driven deve se atentar também aos reflexos morais e éticos que toda a sua cadeia de dados gera.
Dessa forma, desde o planejamento de coleta desses ativos, até o armazenamento, processamento, disseminação, compartilhamento e uso dos dados, é necessário contar com a ética de dados como balizadora.
Temos, assim, que a ética de dados é um ramo de certa forma recente da “ética”, estruturado na ética da informática e da informação, que avalia de modo mais refinado as consequências e problemas do uso de dados em todas as suas sete etapas (funding, motivation, project design, data collection & sourcing, analytics, interpretation e communication & distribution).
Na prática, a implementação da ética de dados relaciona o gestor de marketing, com o CCO (Chief Compliance Officer) e com Encarregado pelo Tratamento de Dados (DPO – Data Protection Officer), função prevista pela LGPD e pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), para a elaboração das estratégias data driven mais responsáveis e com curadoria.
Esses colaboradores devem estar atentos, sobretudo, a:
- Planejamento de processos administrativos, financeiros, de compliance, riscos e de proteção de dados pessoais e privacidade.
- Implementação do programa de compliance e/ou governança em privacidade de forma efetiva.
- Tratamento de dados pessoais, metadadados e informações derivadas em ambientes devidamente seguros. Portanto, investimento em segurança da informação.
- Monitoramento e avaliação do cumprimento das políticas do programa, normativas, códigos de ética, procedimentos internos e parceiros de negócios estabelecidos pela organização e de proteção de dados pessoais e privacidade.
- Gerenciamento de pessoas, rotinas administrativas e financeiras que impactam na geração ou tratamento de dados, além da administração de riscos, recursos materiais, serviços terceirizados e canais de denúncia.
A estratégia de dados deve ser concisa e bem desenhada, alinhando-se às responsabilidades de cada um desses colaboradores e também às necessidades singulares de cada empresa. Com isso, o projeto de dados do negócio passa a prever as interações e consequências de toda a sua cadeia de dados.
O caso Cambridge Analytica, escândalo que envolveu uso de dados de 87 milhões de usuários de forma indevida, revela como a inépcia e a má gestão de um planejamento com ética de dados pode impactar negativamente a empresa e também a sociedade.
Qual a importância da ética de dados para empresas?
Assegurar que as estratégias de dados sejam bem orientadas, resulta em benefícios bastante significativos ao negócio.
1) Reputação da empresa – atualmente não só os profissionais entendem o valor de seus dados e das organizações. Os consumidores também. Portanto, um uso malicioso de dados pode impactar negativamente na imagem da empresa em âmbito geral – entre o segmento e entre os clientes.
2) Auxilia na maturação do Compliance – a gestão de uma ética de dados evita as sanções da legislação e a maturação de todos os processos de compliance. Principalmente tendo em vista que, a partir de 2022, a LGPD passou a aplicar multas às empresas que não estão de acordo com os dispositivos da lei, essa é uma prática que torna-se indispensável.
3) Promove a integração de departamentos e a elaboração de um planejamento mais completo – para que a ética de dados realmente esteja presente em todas as etapas do tratamento de dados, diversos departamentos devem trabalhar em conjunto. Como dissemos anteriormente, é o caso do departamento de tecnologia da informação e do marketing. Essa atuação conjunta resulta em um projeto de dados com menos brechas e lacunas.
4) Torna a cadeia de tratamento de dados mais responsável – sabendo que os dados são os principais ativos da modernidade, podendo ser utilizados de forma benéfica ou maliciosa, a ética de dados é imprescindível. Por meio dela, há a diferenciação de soluções que realmente almejam o uso da tecnologia para transformar o cotidiano, auxiliando melhores tomadas de decisão, perfilagem de clientes e aprendizado sobre os mesmos, por exemplo.
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Com a ética de dados, o uso desses ativos é realmente direcionado para o consumidor, com o desenvolvimento de experiências cada vez mais personalizadas e com valor agregado.